Uma das linhas históricas do modern combatives.
Parte importante do que hoje é chamado de modern combatives foi desenvolvida a partir de problemas policiais e militares do início e da metade do século XX.
O interesse era direto: preparar pessoas para situações de violência a curta distância, com pouco tempo para decidir e condições difíceis de controlar.
Xangai, William Fairbairn, Eric Sykes, o treinamento britânico durante a Segunda Guerra Mundial, o OSS e Rex Applegate aparecem com frequência nessa história.
O valor desse período está tanto nos métodos desenvolvidos quanto nas perguntas que orientavam o treinamento.
O PROBLEMA
Pouco tempo para preparar pessoas para situações difíceis.
Durante a Segunda Guerra Mundial, organizações militares precisavam preparar grandes contingentes e pessoal especializado em períodos relativamente curtos.
Algumas funções envolviam operações em edifícios, reconhecimento, captura de prisioneiros, ações atrás das linhas inimigas e situações em que a distância entre duas pessoas poderia desaparecer rapidamente.
Isso criou espaço para métodos de combate a curta distância que pudessem ser ensinados com rapidez e utilizados dentro de condições de forte pressão.
A busca era por simplicidade, adaptação e aplicação prática.
William Fairbairn e a Shanghai Municipal Police.
William Ewart Fairbairn ocupa um lugar central nessa linha histórica.
Fairbairn serviu na Shanghai Municipal Police — SMP, responsável pelo policiamento do Shanghai International Settlement.
Sua experiência policial e seu trabalho com treinamento levaram ao desenvolvimento e à adaptação de métodos voltados para situações de confronto a curta distância.
O ponto de interesse era prático: quais respostas continuavam disponíveis quando a distância diminuía, havia resistência e pouco tempo para decidir.
Métodos escolhidos pelo problema.
Fairbairn trabalhou com Eric Anthony Sykes, outra figura importante ligada ao desenvolvimento de métodos de tiro e combate a curta distância.
O trabalho dos dois reuniu e adaptou conhecimentos de diferentes origens de acordo com a necessidade prática.
Essa forma de pensar se tornou uma referência importante dentro do combatives do século XX:
o problema determina o método.
A conexão de Xangai.
Antes da entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, integrantes dos United States Marines estavam estacionados em Xangai.
Pesquisa histórica publicada pelo Marine Corps documenta contato entre Marines e os métodos de combate associados a Fairbairn e Sykes naquele período.
Essa conexão ajuda a explicar como experiências desenvolvidas em Xangai passaram a fazer parte da história posterior do treinamento americano de combate a curta distância.
O trabalho passou para o treinamento militar.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Fairbairn participou da preparação de militares britânicos e pessoal ligado a operações especiais.
O tempo disponível para treinamento podia ser limitado. Isso favorecia métodos mais simples, diretos e relativamente rápidos de ensinar.
Fairbairn e Sykes também ficaram associados à Fairbairn-Sykes Fighting Knife, desenvolvida durante a guerra e utilizada por Commandos britânicos e outras unidades.
Fairbairn no treinamento americano durante a guerra.
Fairbairn também foi levado aos Estados Unidos para participar do treinamento ligado ao Office of Strategic Services — OSS.
Criado em 1942, o OSS atuava com inteligência estratégica, espionagem, sabotagem, apoio a movimentos de resistência e operações especiais.
A preparação de seu pessoal incluía diferentes áreas, entre elas armas, técnicas de campo e combate a curta distância.
Documentos históricos preservados pela CIA registram o papel de Fairbairn nesse ambiente de treinamento.
Depois da guerra, o OSS foi dissolvido. Parte de seu legado institucional aparece posteriormente na história da inteligência americana e na criação da CIA em 1947.
Continuidade nos Estados Unidos.
Rex Applegate também ocupa lugar importante na história americana do combate a curta distância e do tiro prático daquele período.
Seu trabalho ajudou a registrar e desenvolver conceitos ligados ao ambiente de treinamento em que Fairbairn também atuou.
Distância curta, pouco tempo para reagir, pressão e necessidade de respostas simples aparecem como problemas recorrentes nesse material histórico.
O QUE AINDA VALE ESTUDAR
Os contextos mudaram. Algumas perguntas continuam úteis.
Os métodos desse período foram desenvolvidos para problemas policiais e militares específicos.
Hoje, esses materiais interessam principalmente como registro histórico e como referência para estudar algumas questões recorrentes.
Xangai, Fairbairn, Sykes, os Marines, o treinamento britânico durante a guerra, o OSS e Rex Applegate formam uma linha importante na história do que hoje é chamado de modern combatives.
Estudar essa história ajuda a entender de onde vieram algumas ideias. O uso atual dessas ideias exige outro contexto, outros públicos e outros problemas.
FONTES PRIMÁRIAS & INSTITUCIONAIS